Para a maioria das pessoas, a artéria mediana desaparece durante o desenvolvimento fetal, mas está crescendo o número de casos em que ela persiste por toda a vida

Quando se fala em evolução, é comum que muitas pessoas imaginem um processo ocorrido há milhões de anos, nos primórdios da vida na Terra. Esse pensamento não está de todo equivocado, mas é incompleto. Na verdade, nossa espécie continua evoluindo de maneiras sutis, e prova disso é que alguns aspectos da anatomia humana vão se modificando com o passar das gerações.

A artéria mediana, como é chamada, se forma no início do desenvolvimento fetal, mas desaparece antes do nascimento para dar lugar a outros dois vasos sanguíneos, as artérias ulnar e radial. Por isso, a maioria dos adultos não possui a mediana em seu sistema circulatório.

A maioria, mas não todos. Algumas pessoas não perdem a artéria, e simplesmente nascem com os três vasos sanguíneos no antebraço. Esses casos levam o nome de “persistência da artéria mediana”.

Aqui, vale um lembrete sobre as aulas de Biologia. Quando falamos em evolução, nos referimos a um processo que ocorre entre gerações, não a alterações durante a vida de um único indivíduo. Isso significa que a artéria mediana não vai aparecer aleatoriamente no braço de ninguém – quem nasce sem, morre sem.

Por outro lado, quem nasce com a condição pode transmiti-la a seus descendentes, e a frequência desses casos está aumentando.

Crescimento significativo

Os cientistas responsáveis pela descoberta analisaram o cadáver de 78 australianos nascidos durante o século XX. Destes, cerca de 30%, ou 26 pessoas, possuíam a artéria mediana no antebraço. Dados de 1880 mostram que a prevalência da condição no século XIX era de apenas 10%.

De acordo com Teghan Lucas, um dos autores do estudo, o aumento de 10% para 30% é muito significativo para um período tão curto de tempo. Ele explica que os humanos estão evoluindo mais rapidamente agora do que estiveram nos últimos 250, e que essa tendência deve continuar até o fim deste século.

“Esse aumento pode ter resultado de mutações de genes envolvidos no desenvolvimento da artéria mediana, de problemas de saúde das mães durante a gravidez ou de ambos”, explica Teghan. “Se essa tendência continuar, a maioria das pessoas terá a artéria mediana no antebraço em 2100”.

A consequência é positiva. Segundo os pesquisadores, uma terceira artéria é útil porque aumenta a circulação e o suprimento de sangue no braço, além de poder ser aproveitada para substituir vasos obstruídos em outras partes do corpo.

“A artéria mediana é um exemplo perfeito de como ainda estamos evoluindo“, conclui o autor principal do estudo, o especialista em anatomia Maciej Henneberg.

Ele ressalta que trata-se de uma microevolução, isto é, uma alteração ocorrida em um intervalo curto de tempo, e que não implica em nenhuma mudança significativa no modo de vida dos seres humanos. Ainda assim, é algo bem interessante de se observar.

Texto e imagem: olhardigital.com.br/Via: Futurism